O propósito de vida que Deus em Cristo tem para o cristão
Base: Atos 20:24
O ambiente
Antes de estudarmos este pronunciamento de Paulo para um grupo seleto de pessoas, é preciso entender o ambiente em que ele estava inserido.
Em primeiro lugar, entre os discursos registrados em Atos, este é o único dirigido a um público cristão. Todos os outros são sermões evangelísticos, pregados para o povo judeu [2: 14; 14:14] ou gentio [10:34; 17:22], ou defesas legais, diante do Sinédrio nos primeiros dias da igreja [4:8; 5:29].
Em segundo lugar, os líderes são chamados de “presbíteros” [v.17], “bispos” [v.28a] e “pastores” [v.28b], e é evidente que esses termos se referem às mesmas pessoas.
Em terceiro lugar, é evidente que a igreja de Éfeso possuía uma equipe de presbíteros-bispos [presbyteroi v.17, e episkopoi v। 28 que estão no plural]. Paulo fala, então, para uma equipe pastoral.
Introdução:
É natural do homem querer descobrir a razão para tudo. Querer descobrir o sentido da vida.
Os radicais islâmicos levam tal a sério o propósito de sua vida, ou seja, a missão que cada homem tem que desde criança eles são treinados a não valorizarem a sua vida e se tornarem homens bombas.
Numa cidade chamada Taubaté, bem próxima da cidade de onde vim ali existe uma mesquita e descobri que havia um revezamento de um grande período de orações que eram feitas de madrugada. Eles consideram isto como precioso para sua vida.
Mas quando olhamos para a nossa sociedade o que encontramos, é uma sociedade vazia de sentido e propósito de vida. As pessoas são ocas por dentro, elas não conseguem transmitir vida. O diagnostico a ser dado, é que a sociedade está sem um norte de vida.
Bom, não podemos desconsiderar o efeito histórico disto tudo. Há muito tempo às pessoas vivem assim. Tudo isto começou com o esvaziamento da reflexão sobre a ação salvadora de Deus na história. Quando no século XIX igrejas e mais igrejas começaram a aderir um pensamento filosófico e teológico de que Deus não era o suficiente para homem. Na verdade o que isto queria dizer é que, o homem poderia viver muito melhor sem Deus. E isto começou a invadir as igrejas de toda a Europa. O nome disto é teologia liberal, onde a sua argumentação é que Cristo e a sua ressurreição são um mito. O nome deste vazio é chamado de “niilismo” que afirma que não há sentido fundamental na existência humana, não existe propósito, valor nem virtude. É o nada da existência humana. Então, o que vemos hoje é uma descaracterização pelo propósito da vida humana. A razão da existência humana não é simplesmente adorar a Deus e desfruta-lo para sempre, mas agora para o cristão genuíno ele tem uma missão a ser cumprida. Ele tem uma razão de ser salvo.
1) O propósito de vida revelado nas Escrituras é o oposto do propósito de vida da sociedade – “Mas em nada tenho a minha vida como preciosa para mim(...)”
A proposta de Paulo é que a vida do cristão não é mais direcionada por ele e nem por sua vontade depravada. A sua vida ganha um novo valor na ótica de Cristo, ou seja, você é alguém em Cristo. A sua vida tem valor e sentido em Cristo. Toda beleza e preciosidade da sua vida residem em Cristo e ganha um valor incomparável por causa da glória de Cristo que irradia em você.
Paulo não era um homem interessado em si mesmo. Paulo é o oposto da grande maioria dos pregadores modernos. Em nenhum momento ele quis ser peso para a igreja, mas trabalhava para ajudar no seu sustento. Em nenhum momento se preocupou se teria uma cama ou comida. Toda a atenção e todo foco de Paulo estavam voltados para a sua missão, anunciar as insondáveis riquezas de Cristo. Aqui está o resumo de toda compreensão de vida de acordo com a atitude e vida prática de Paulo – “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo” [Filipenses 3: 7-8].
Para o cristão autentico, o sentido e valor da sua vida não depende mais do seu ambiente e do seu modo de olhar a própria vida, mas o que o cristão precisa fazer agora é olhar para cruz de Cristo e saber que toda razão, que todo sentido e propósito de vida estão em Cristo e resultam da sua vitória sobre a morte e o pecado.
2) O propósito da vida do cristão em Cristo, é ser fiel até o fim – “(...)contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus(...)”
No caminho para o céu não encontramos placas como: “Se sentir vontade pode relaxar”.
Há muitos degraus para a eternidade. A cada dia que se passa, você sobe um degrau a mais.
Não somos o mar Morto. Embora muitos vivem como se fossem.
A vida cristã exige perseverança. E esta é uma das marcas que evidenciam se de fato você é um cristão.
Quero lhe dizer que muitos empecilhos surgirão para te desmotivar. É necessário que você esteja atento e firme naquilo que o próprio Cristo entregou na sua mão. Entenda isto, Cristo te deu uma missão e você precisa cumpri-la.
John Bunyan no seu livro “O Peregrino” conta-nos uma história da viagem do Cristão que saiu da cidade chamada “Destruição” para a cidade de Sião. Na sua jornada, Cristão encontrou-se com vários personagens. Entre eles estavam Vacilante, Obstinado, Formalista, Hipócrita, Desconfiado, Tímido, Sábio Segundo o Mundo. Todos estes surgiram na viagem de Cristão, tentando dissuadi-lo do seu propósito.
É o nosso dever seguir a risca o que Apocalipse 2:10 diz – “Sê fiel até a morte”. A semelhança de Cristo que foi fiel e obediente até a morte e morte de cruz, assim também deve ser a nossa atitude. Não podemos simplesmente esperar a fidelidade do Senhor. Precisamos ser fiéis a Ele também.
É interessante que Paulo trabalha com a idéia de que a pessoa que está na carreira da fé. Na carreira do ministério é semelhante a um atleta – “Complete a carreira” ou “terminar a corrida” são imagens atléticas, os filósofos com freqüência usavam essas imagens para descrever sua própria missão.
I Co. 9: 24-26 – “Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece, mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo,(...)”.
Portanto, aquele que está na carreira que o evangelho nos convoca, não tem motivos para estar satisfeito consigo mesmo, a não ser que prossiga até à morte. Pois tudo o que Deus espera de nós, é que prossigamos incansáveis ao longo de todo o caminho em direção ao alvo. Hebreus 12:2 – “tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé(...)”.
3) O cristão tem como propósito e missão ser uma testemunha da graça – “(...)de testemunhar do evangelho da graça de Deus”
Deus não agiu só em Jesus, mas também continua a agir nos seus seguidores. Nenhum escritor do Novo Testamento tem tanta certeza quanto Lucas de que Deus age agora, como confirmam os milagres que ele relata em Atos.
O Deus sobre o qual Lucas escreve não é uma abstração sem poder, mas um Deus poderoso, interessado em seu povo e disposto a agir no meio dele para cumprir seus propósitos. Deus não se permitiu ficar sem testemunha em nenhum momento da história, e isso pode ser visto com clareza nas coisas boas que ele fez e faz por seu povo.
O interessante é que Paulo via Deus constantemente presente na vida cotidiana da sua missão. Deus nunca ficou ausente no ministério de Paulo, por isso, é que Paulo entendia muito bem sobre a presença graciosa do Senhor. Então, Paulo que desfrutava de forma tão real e poderosa a graça de Deus, ele não poderia ficar calado, ele era impelido e motivado a anunciar esta graça que deve ser proclamada nos quatro cantos da terra. Mas que graça é esta? É a nossa completa dependência de Deus para a salvação. Deus não nos abandonou no lugar em que naturalmente nos encontramos, incapacitados pelo pecado e incapazes de nos salvar, mas concede-nos a graça para que possamos ser curados, perdoados e restaurados. A graça é um favor generoso e totalmente imerecido que Deus concede à humanidade. É a cura para sanar a doença da nossa alma que pode nos lançar no inferno. A graça é a verdadeira forma redentora da presença divina em Cristo que atua dentro de nós, transformando-nos, portanto, é uma ação interna e ativa. O que deve ser entendido é que a graça é a força libertadora que livra a natureza humana da escravidão do pecado a que está sujeita.
Eu quero enumerar dois pontos sobre a compreensão desta graça:
1) A graça preveniente - Significa “vir à frente”. É a defesa de que a graça de Deus está atuando na vida do ser humano antes mesmo da conversão. Ela prepara a vontade humana para a conversão. Ela não simplesmente opera na vida da pessoa após sua conversão, é todo o processo que leva à conversão é um processo preparatório no qual a graça preveniente de Deus está ativa.
“Entre a graça e a predestinação há apenas esta diferença: a predestinação é a preparação para a graça, enquanto a graça é a doação efetiva da predestinação”
Santo Agostinho
2) A graça operativa – Este termo é usado como referencia ao modo pelo qual a graça preveniente não depende da cooperação do homem para produzir seus efeitos. Deus opera na conversão dos pecadores sem que haja a menor participação deles. A conversão é um processo puramente divino, no qual Deus age sobre o pecador.
A exemplo da passagem de Lucas 15: 11-32. O filho mais novo abandonou tudo – a família, os amigos e os seus animais. Tomou a sua parte da herança e caiu no mundo. Viveu como um depravado total e perdeu tudo. Caiu no mais profundo do poço e teve como alimento a comida dos porcos. Mesmo tendo traído, abandonado e sendo tão ingrato ao seu pai, quando ele volta arrependido o pai o recebe de braços abertos, chora com o filho, calça as sandálias nos pés do filho, coloca o anel no seu dedo, prepara uma festa e demonstra a falta que aquele filho fez no convívio da família. Isto é graça e Deus faz o mesmo com a gente. Ele nos pega totalmente sujos pelo pecado, e com a sua graça redentora faz tudo novo em nós. É isso que Deus em Cristo quer que sejamos, testemunhas deste evangelho tão gracioso.
Então, se você vive uma graça em que a pregação do perdão é sem arrependimento, em que o batismo é sem a disciplina comunitária, em que a Ceia do Senhor é sem confissão dos pecados, em que a absolvição é sem confissão pessoal. Se a graça barata que você vive é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado, você ainda não sabe o que é graça e o pior, você não foi alcançado por ela e não desfruta da plena redenção.
Esta graça é para nós preciosa, por custar à vida ao ser humano, e é graça por, assim, lhe dar a vida, é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por ter sido preciosa para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “vocês foram comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que custou caro para Deus. A graça é preciosa sobretudo porque Deus não achou que seu Filho fosse preço demasiado caro para pagar pelo nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus. Ele não é ausente e nem alheio ao sofrimento e perdição do homem. Ele veio até nós em forma de homem. Sofreu como homem. Conheceu a miséria do homem. Ou seja, Ele é o Deus que nos conhece por que viveu como um homem vive. Então, na sua morte e ressurreição nos outorgou a salvação tão desejada pela nossa alma, tão somente pelo poder da sua graça que nos restaurou a sua imagem e semelhança e nos resgatou do império das trevas para o Reino do seu maravilhoso amor.

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